31.7.06

A vida em essência

Dentre todos os sentimentos o amor é, sem dúvida, o mais homenageado. Tema de músicas, livros, filmes e outras expressões artísticas, inúmeras são aqueles que tentam traduzir em palavras o pulsar da vida.

Se personificado, o amor seria um menino maroto que invade sem pedir licença, expulsa toda e qualquer racionalidade e aquece até os mais frios, derretendo-os com simples gestos, palavras e demonstrações pequenas, mas que valem muito. Menino poderoso esse. É liberto de efemeridades e travas, sendo calcado no puro gostar de algo ou de alguém. Consegue transformar situações e trazer mais cor e sentido para a vida, transcendendo as formalidades e friezas impostas pelo mundo. E é contra elas que o amor se faz mais forte. Rompe com delimitações criadas pela consciência e encharca as mãos de sentimento e emoção, fazendo com que o controle do que se pensa e sente escape por entre os dedos e os impulsione a tentar discorrer a respeito deste movimento de almas.

Apenas tentam. As criações inspiradas no amor são de grande beleza e profundidade, captam e apresentam sua essência, mas jamais conseguirão delimitar em arte aquilo que é extrema e unicamente sensorial e não se pode explicar, nem muito menos compreender, pois nasceu para ser sentido, vivido.


Texto e foto: Mariana Rotili